Pular para o conteúdo principal

Cada epidemia tem seu gráfico


O nome poderia ser índice de solidariedade humana, de empatia ou simplesmente de humanidade mesmo. Como o que mais fazemos atualmente é ver gráficos e curvas, acho que este também seria procedente e ajudaria a entender uma epidemia nada silenciosa que vem ameaçando o país de maneira tão avassaladora quando o coronavírus. Começa com uma linha de base zero, formada por bolsominions que fazem manifestações durante o isolamento social – Bolsonaro & filhos e seguidores que batem em mulher, enfermeiras e jornalistas não entram porque estão abaixo da linha e não dá para começar o gráfico no negativo.

A partir daí a curva vai subindo até atingir o pico, que seria nível, por exemplo, padre Júlio Lancellotti. Há vários outros exemplos, mas acredito que esse seja suficiente para estabelecer o padrão. Ao contrário da curva de contágio e mortes do covid-19, o ideal para acabar com esse tipo de vírus da desumanidade seria que a curva crescesse rapidamente e, ao atingir o pico – ou até ultrapassá-lo – ali se mantivesse indefinidamente.
Infelizmente, o que vem acontecendo é diferente. O Brasil conseguiu achatar a curva de maneira impensada por qualquer padrão internacional e agora precisa correr atrás do prejuízo para que ela não caia ainda mais. Medidas como informação baseada em ciência, conceitos ligados a moral e ética, nem o simples bom-senso têm surtido os efeitos esperados. Ainda é um mistério como é feito o contágio, se é possível vacina ou cura.
Essa não é absolutamente uma proposta científica, o que não significa que pesquisadores das áreas biológicas, humanas e exatas não possam se juntar para aperfeiçoar a ideia e tecer teorias de como melhorar esses índices. A demanda se justifica em prol de sua urgência para evitar sequelas irreversíveis à saúde e à democracia no país.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Saneamento adaptado às mudanças do clima é chave para bem viver

  Pensar em adaptação do saneamento básico às mudanças climáticas, em uma semana de sol em São Paulo às vésperas do Carnaval, parece uma péssima ideia. Ninguém quer se lembrar de problemas relacionados a chuvas ou falta de chuvas, que, no caso da cidade, remete a inverno. Mas, talvez, justamente por estarmos fora da emergência, seja o melhor momento. Ainda mais porque a maior parte das adaptações necessárias também pode minimizar esse calor em ondas cada vez mais fortes. Em “Adaptação e Saneamento - Por um setor resiliente às mudanças climáticas" , publicação recém-lançada pelo Instituto Água e Saneamento (IAS), da qual participei, mostramos por que a adaptação dessa área é fundamental para garantir o bem viver nas cidades. Sem uma drenagem pensada para a nova realidade, ficaremos sem mobilidade – a parte mais visível da equação -, mas também sem abastecimento de água, sem tratamento adequado de esgotos, sem habitações de qualidade e com sérios problemas de saúde pública. Na pesqu...

Culto à misoginia*

Travestido de estiloso e moderno, por trazer pseudoinovações (Guimarães Rosa foi bem mais eficiente, já que usar só caixa baixa não é exatamente um grande achado estilístico), o livro “o remorso de baltazar serapião”, de Valter Hugo Mãe, é um culto à misoginia. O autor tenta disfarçar o intento, ao mostrar a vida como dura e sem sentido para todos os personagens, mas o prazer com que descreve (em primeira pessoa, através de seu bronco personagem) os atributos físicos, fisiológicos e intelectuais femininos da forma mais torpe que já vi na literatura é inegável (nem Nelson Rodrigues conseguiu chegar perto, coitado!). O livro é premiado e elogiado por Saramago etc., mas curiosamente não encontrei uma resenha sequer escrita por mulher. Todos os elogios citam a misoginia do texto, mas parecem ter caído na armadilha de ser esta mais uma das dores do mundo e não “A” fonte de inspiração do livro, cuja centralidade na vaca não deixa dúvidas. Um exemplo, que parece chegar perto da ques...

O incômodo Caderno Rosa de Lory Lamb

Participo de um grupo de leitura o qual chamamos Círculo Feminino de Leitura (CFL), que completa em julho próximo 10 anos. Somos 11 mulheres que se reúnem mensalmente (entre fevereiro e dezembro) para discutir um livro indicado normalmente pela anfitriã do mês, além de dividir nossas experiências, alegrias e tristezas. Nesse período, lemos e discutimos mais de 130 livros, dos mais diversos gêneros e nacionalidades. Para comemorar nossos 10 anos, achamos que nada melhor do que realizar um sonho antigo e nos reunir na Festa Literária de Paraty. Já reservamos uma pousada e apenas uma de nós, que atualmente mora nos EUA, ainda não conseguiu confirmar. Como parte de nossa preparação, resolvemos que até a viagem vamos ler livros relacionados à Flip. Acabamos de discutir O Caderno Rosa de Lori Lamby , da autora homenageada Hilda Hilst. É preciso que se diga que ninguém ficou indiferente à Lory Lamb. Umas adoraram, outras odiaram. Incumbida de puxar a discussão sobre o livro pornô ch...