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Representatividade


A cidade de São Paulo completou 462 anos na segunda-feira (25 de janeiro), ocasião em que foi homenageada pelos principais veículos de comunicação da metrópole. Uma delas, em especial, me chamou a atenção por trazer sacadas bacanas da cidade, pelo menos para a parte badabá dos moradores, na qual, como jornalista, moradora da Vila Madalena, leitora da Folha de S. Paulo, logicamente me incluo. Publicada na revista Sãopaulo (suplemento dominical da Folha, edição 24 a 30 de janeiro de 2016), a matéria lista 62 motivos para gostar da cidade, muitos deles sugeridos por moradores ilustres. Nos últimos 15 motivos, paulistanos indicam “quem representa a cidade e a transforma com seu trabalho”. O primeiro indica o segundo, que indica o próximo e assim por diante.

É aí que mora o problema. Vivemos em uma cidade com 11.581.798 habitantes, dos quais 5.500.051 são homens e 6.081.747 são mulheres (estimativa Fundação Seade, 2015), ou seja, meio a meio, com ligeira predominância feminina. No entanto, na visão desses entrevistados, São Paulo é representada sobretudo por homens. Das 14 pessoas consultadas, foram indicados 10 homens, incluindo um que decidiu na maturidade viver como mulher, um coletivo (com homens e mulheres) e apenas três mulheres. Nenhuma das mulheres consultadas indicou outra mulher (o que certamente não era uma obrigação).

Minha questão não são os nomes escolhidos (que realmente representam e transformam essa metrópole para melhor), mas por que, no universo de possibilidades de escolha, a representatividade feminina ainda seja tão pequena? Faltam mulheres realizadoras ou falta visibilidade ao seu trabalho?

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