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Férias com Hercule Poirot

 


Quando estou de férias, gosto de tirar alguns dias para não pensar. Então deixo Hercule Poirot pensar por mim. Levar Agatha Christie na bagagem é diversão certa se deixo de lado meu anacronismo em relação a questões como feminismo, racismo, colonialismo etc., essas coisas que pouca gente presta atenção, mas sou boba o suficiente para ficar reparando e fazendo malabarismos para não estragar o prazer de quase tudo o que leio. Não nas férias! Costumo me tornar uma pessoa normal nessa época.

Neste ano, levei comigo Morte no Nilo, mas poderia ser qualquer um: Assassinato no Expresso Oriente, Cai o Pano, Morte na Mesopotâmia, o Natal de Poirot. Quando quero uma protagonista mulher, opto por um dos títulos onde a heroína é a detetive amadora Miss Marple, como Um Corpo na Biblioteca ou Crime no Hotel Bertram. Não tenho a mínima ideia de onde a escritora britânica tirava tanta imaginação e como conseguiu escrever tantos livros. 

O importante, se quiser embarcar na aventura, é saber, desde o início, que não adianta queimar neurônios para seguir as pistas dos crimes (sempre envolvendo assassinatos), pois a lógica dos acontecimentos só estará acessível aos detetives de Christie. Relaxe, aproveite as intrigas e as reviravoltas mirabolantes para se divertir entre um mergulho e outro no mar, um gole de água de coco ou caipirinha, um cochilo e outro na rede, ou seja lá o que estiver fazendo.

Neste Morte no Nilo, um grupo de ricaços e picaretas de várias estirpes fazem um cruzeiro pelo rio egípcio quando a jovem milionária Linnet Doyle, em lua de mel, é assassinada. Nem preciso dizer que todo mundo naquele barco tinha motivos para querer vê-la morta e, para minha sorte e azar do assassino, Hercule Poirot estava a bordo. Felizmente, ainda pra mim, minhas férias foram bem mais tranquilas do que as do esnobe detetive belga.


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