Pular para o conteúdo principal

Metrô

Sinto-me supercivilizada quando ando de metrô. O que parece muito normal para a classe média (vá lá, média alta) paulistana, que é andar de metrô em Nova York, Londres ou Paris, parece ultraexótico de se fazer em casa. Já usei muito o metrô e realmente acho o melhor meio de transporte urbano possível, mas por aqui ele é muito limitado. Com seus cerca pouco mais de 70 quilômetros de extensão, raramente atende a todo o percurso necessário e as estações dificilmente ficam a uma distância razoável de onde se está ou quer ir.
Felizarda, moro em um bairro que tem estação de metrô, mas para chegar a ela preciso andar cerca de um quilômetro (de ladeira!). Mesmo isso não seria um grande problema se as calçadas não fossem intransitáveis: todo o percurso é em ladeira (entenda bem, não ladeira subindo a rua, mas ladeira das casas para a rua, ou seja, ladeira dupla). Sem contar os buracos e degraus... Enfrentar esse desafio de saltos altos, meus companheiros inseparáveis, principalmente quando estou trabalhando, é tarefa quase sobrehumana, ainda mais tendo um carro na garagem...
Mas quanto todas as circunstâncias favorecem – tempo bom, tempo sobrando, itinerário compatível – recorro a esse meio de transporte e me sinto uma cidadã do mundo, como hoje. Como sempre, me comprometo a investir mais na experiência, colaborando para minhas economias e para uma cidade mais sustentável. Difícil dizer quanto tempo essa disposição toda dura.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

O dote

O maior vexame da minha vida aconteceu durante uma audição de piano. Tocaria Escorregando, de Ernesto Nazareth, e Tico-tico no Fubá, de Zequinha de Abreu. Mas quando entrei no palco, me sentei e olhei para as teclas, foi como se fosse fazer um discurso e na hora em que visse o texto a ser lido ele estivesse em mandarim. Era como se fosse a primeira vez que visse um piano, não sabia por onde começar. Tomada de pânico, consegui levantar, agradecer e sair totalmente perdida. Tinha 17 anos e estudava piano há nove. No camarim, fui recebida com abraços da atônita professora e das colegas, mas só conseguia chorar e me sentir miserável. Atendendo aos apelos de todas elas, ao final das apresentações, voltei ao palco e disparei a pior interpretação de Tico-tico no Fubá da história. Lembro de ter sido aplaudida, o que não me confortou. Meus pais, com a sensibilidade que lhes era característica, disseram que os fiz passar vergonha, me deixaram em casa com minhas lágrimas e foram comer pizza. ...

Sandubas tradicionais paulistanos são para os fortes

Há pelo menos três sanduíches tradicionais paulistanos: o Bauru do Ponto Chic, o de mortadela do Mercado Municipal e o de pernil do Estadão. Todos são deliciosos, todos têm por base o pão francês – típico da cidade -, todos são exagerados. Isso significa que é praticamente impossível comer sem se lambuzar e devorá-los por inteiro é para os fortes. O Bauru do Ponto Chic, diz a lenda, foi criado nos anos 1930 por um dos alunos da Faculdade de Direito do Largo São Francisco que frequentavam o bar no Largo do Paissandu, cujo apelido era o nome de sua cidade natal e acabou batizando também o sanduba. Embora se possa comer bauru em qualquer padaria paulistana – sanduíche caracterizado por ser um misto quente (queijo e presunto) com tomate -, o do Ponto Chic é muito mais incrementado: inúmeras fatias de rosbife, tomate em rodelas, pepino em conserva e uma mistura de quatro tipos de queijos fundidos em banho-maria (prato, estepe, gouda e suíço). Hoje pode ser encontrado nas três lojas do...

Cidade de São Paulo aprova política de segurança hídrica

O momento político é tão desalentador que, quando temos uma boa notícia, dá até medo de comentar e alguém da turma dos neoempoderados da brigada do “vamos acabar com tudo que há de civilizado no país” se entusiasmar e pegar mais uma causa para detonar. Ainda mais na Semana do Meio Ambiente – por isso vamos nos benzer antes. Mas o fato é que, na última sexta-feira (31/5), a prefeitura de São Paulo sancionou a lei que institui a Política Municipal de Segurança Hídrica. Rio Pinheiros, aquele eternamente na fila de despoluição. Tudo bem que é, ainda, apenas um documento, mas sinaliza em uma direção de avanço significativo. E é resultado de uma iniciativa da sociedade: a campanha Vote pela Água, da Aliança da Água, lançada durante a eleição municipal de 2016. Para quem não sabe ou não se lembra, a Aliança foi formada durante a crise da água de 2014, quando a cidade de São Paulo quase entrou em colapso de abastecimento por conta da seca severa, que praticamente zerou a capacidade de ...