Pular para o conteúdo principal

O legado do ISA


Há pouco mais de 22 iniciei meu relacionamento com o Instituto Socioambiental, o ISA, quando passei a fazer parte da equipe daquela ONG, na época – como agora – muito inovadora. Fundada menos de três anos antes por um grupo de antropólogos, indigenistas, advogados e ativistas, trazia como novidade um olhar para as florestas, a biodiversidade e o meio ambiente como um todo vinculado à defesa dos direitos dos povos indígenas e das comunidades tradicionais. O lema do ISA nos primeiros anos era justamente socioambiental se escreve junto, produzindo uma nova palavra e um novo conceito de atuação.

Muito sinceramente, achava que não sairia de lá nunca mais, tamanha minha identificação com a causa. Mesmo que isso não tenha acontecido, nunca perdi totalmente o vínculo, seja acompanhando o trabalho deles como jornalista e cidadã, seja como colaboradora em vários trabalhos, entre eles alguns que estão no rol dos que mais me orgulhei de fazer parte, como as duas edições do Almanaque Brasil Socioambiental.
Tudo isso para contar que, na semana passada, foi lançada a revista ISA 25 anos, Unidos pela Diversidade - que traz um pouco do legado e da forma de trabalhar da organização -, da qual também tive a felicidade de colaborar. A ideia da publicação é mostrar as atividades - baseadas em trabalho de campo ao lado das comunidades, monitoramento de áreas protegidas, produção de informação qualificada, articulação política e mobilização - para novos públicos.
Um trabalho que é essencial em um momento no qual os direitos dos povos indígenas e tradicionais estão ameaçados como nunca, assim como muitos dos direitos de todos os brasileiros, com destaque para os ambientais. Saber que há pessoas, como as que atuam no ISA, lutando para reverter esse quadro e evitar que, quando essa tendência nefasta acabar (e há de acabar!), não tenhamos que recomeçar do zero é um alento.
Dentro dessa revista, temos uma amostra de como é possível manter o Brasil com sua verdadeira riqueza e prosperar, com mais justiça, democracia e qualidade de vida para toda a população.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Saneamento adaptado às mudanças do clima é chave para bem viver

  Pensar em adaptação do saneamento básico às mudanças climáticas, em uma semana de sol em São Paulo às vésperas do Carnaval, parece uma péssima ideia. Ninguém quer se lembrar de problemas relacionados a chuvas ou falta de chuvas, que, no caso da cidade, remete a inverno. Mas, talvez, justamente por estarmos fora da emergência, seja o melhor momento. Ainda mais porque a maior parte das adaptações necessárias também pode minimizar esse calor em ondas cada vez mais fortes. Em “Adaptação e Saneamento - Por um setor resiliente às mudanças climáticas" , publicação recém-lançada pelo Instituto Água e Saneamento (IAS), da qual participei, mostramos por que a adaptação dessa área é fundamental para garantir o bem viver nas cidades. Sem uma drenagem pensada para a nova realidade, ficaremos sem mobilidade – a parte mais visível da equação -, mas também sem abastecimento de água, sem tratamento adequado de esgotos, sem habitações de qualidade e com sérios problemas de saúde pública. Na pesqu...

Sandubas tradicionais paulistanos são para os fortes

Há pelo menos três sanduíches tradicionais paulistanos: o Bauru do Ponto Chic, o de mortadela do Mercado Municipal e o de pernil do Estadão. Todos são deliciosos, todos têm por base o pão francês – típico da cidade -, todos são exagerados. Isso significa que é praticamente impossível comer sem se lambuzar e devorá-los por inteiro é para os fortes. O Bauru do Ponto Chic, diz a lenda, foi criado nos anos 1930 por um dos alunos da Faculdade de Direito do Largo São Francisco que frequentavam o bar no Largo do Paissandu, cujo apelido era o nome de sua cidade natal e acabou batizando também o sanduba. Embora se possa comer bauru em qualquer padaria paulistana – sanduíche caracterizado por ser um misto quente (queijo e presunto) com tomate -, o do Ponto Chic é muito mais incrementado: inúmeras fatias de rosbife, tomate em rodelas, pepino em conserva e uma mistura de quatro tipos de queijos fundidos em banho-maria (prato, estepe, gouda e suíço). Hoje pode ser encontrado nas três lojas do...

Uma louca sem medo de divertir com ótimas reflexões

A Louca da Casa , da escritora espanhola Rosa Montero, é um livro difícil de definir e delicioso de ler. Parece ser um romance autobiográfico, porém não é bem isso. Pode ser também um ensaio, mas qual é o tema? Literatura, feminismo, criatividade? Tudo isso e mais um pouco. E muito humor, que nos transforma nas “loucas do livro” ao nos brindar com diferentes versões sobre um mesmo acontecimento, ligado a um romance de juventude com um famoso ator de Hollywood. Lembrei da sensação de ler Tia Julia e o Escrevinhador , de Mario Vargas Llosa. Não deve ser à toa que o elogio do grande escritor à obra esteja na capa do livro, editado pela Harper Collins. A obra foi o tema da reunião mensal do nosso Círculo Feminino de Leitura (CFL) e nos arrebatou com a originalidade com que trata de temas que nos são caros. CFL com A Louca da Casa . Seja quando conta suas estripulias juvenis ou quando divaga sobre as motivações e agruras da vida de romancista, nos oferecendo casos (estes, garante, ...