Pular para o conteúdo principal

Calça legging

Praticamente todos os dias quando levo as crianças para a escola cruzo na rua com uma mulher que apelidei de ‘moça da calça legging’.  Dependendo do horário que passo de carro, ela caminha calmamente pela Natingui (se a encontro na ida) ou na Nazaré Paulista (se a encontro na volta, quando estamos mais atrasadas).
O motivo óbvio do apelido é que, independentemente do tempo, da época do ano ou seja lá o que for, ela está sempre com uma calça legging e um blusão. Nunca, mas nunca mesmo, a vi com um vestido, uma calça jeans ou qualquer outro tipo de roupa. Não significa que ela está sempre com a mesma roupa ou não se vista bem: tem uma variedade incrível de ‘leggings’ e complementos e está sempre produzida. Também nunca a vi com o horror símbolo brasileiro que são as mulheres mostrando o traseiro em ‘leggins’ justíssimas e blusas curtíssimas, às vezes vertendo pneus para fora.
Não é, absolutamente, o caso da minha personagem. Ela apenas me chama a atenção e me faz viajar em conjecturas de porque uma pessoa só veste um tipo determinado de roupa. Procurá-la nas minhas manhãs é um daqueles poucos prazeres desinteressados que fazem o dia a dia um pouco mais interessante...

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Saneamento adaptado às mudanças do clima é chave para bem viver

  Pensar em adaptação do saneamento básico às mudanças climáticas, em uma semana de sol em São Paulo às vésperas do Carnaval, parece uma péssima ideia. Ninguém quer se lembrar de problemas relacionados a chuvas ou falta de chuvas, que, no caso da cidade, remete a inverno. Mas, talvez, justamente por estarmos fora da emergência, seja o melhor momento. Ainda mais porque a maior parte das adaptações necessárias também pode minimizar esse calor em ondas cada vez mais fortes. Em “Adaptação e Saneamento - Por um setor resiliente às mudanças climáticas" , publicação recém-lançada pelo Instituto Água e Saneamento (IAS), da qual participei, mostramos por que a adaptação dessa área é fundamental para garantir o bem viver nas cidades. Sem uma drenagem pensada para a nova realidade, ficaremos sem mobilidade – a parte mais visível da equação -, mas também sem abastecimento de água, sem tratamento adequado de esgotos, sem habitações de qualidade e com sérios problemas de saúde pública. Na pesqu...

Sandubas tradicionais paulistanos são para os fortes

Há pelo menos três sanduíches tradicionais paulistanos: o Bauru do Ponto Chic, o de mortadela do Mercado Municipal e o de pernil do Estadão. Todos são deliciosos, todos têm por base o pão francês – típico da cidade -, todos são exagerados. Isso significa que é praticamente impossível comer sem se lambuzar e devorá-los por inteiro é para os fortes. O Bauru do Ponto Chic, diz a lenda, foi criado nos anos 1930 por um dos alunos da Faculdade de Direito do Largo São Francisco que frequentavam o bar no Largo do Paissandu, cujo apelido era o nome de sua cidade natal e acabou batizando também o sanduba. Embora se possa comer bauru em qualquer padaria paulistana – sanduíche caracterizado por ser um misto quente (queijo e presunto) com tomate -, o do Ponto Chic é muito mais incrementado: inúmeras fatias de rosbife, tomate em rodelas, pepino em conserva e uma mistura de quatro tipos de queijos fundidos em banho-maria (prato, estepe, gouda e suíço). Hoje pode ser encontrado nas três lojas do...

Uma louca sem medo de divertir com ótimas reflexões

A Louca da Casa , da escritora espanhola Rosa Montero, é um livro difícil de definir e delicioso de ler. Parece ser um romance autobiográfico, porém não é bem isso. Pode ser também um ensaio, mas qual é o tema? Literatura, feminismo, criatividade? Tudo isso e mais um pouco. E muito humor, que nos transforma nas “loucas do livro” ao nos brindar com diferentes versões sobre um mesmo acontecimento, ligado a um romance de juventude com um famoso ator de Hollywood. Lembrei da sensação de ler Tia Julia e o Escrevinhador , de Mario Vargas Llosa. Não deve ser à toa que o elogio do grande escritor à obra esteja na capa do livro, editado pela Harper Collins. A obra foi o tema da reunião mensal do nosso Círculo Feminino de Leitura (CFL) e nos arrebatou com a originalidade com que trata de temas que nos são caros. CFL com A Louca da Casa . Seja quando conta suas estripulias juvenis ou quando divaga sobre as motivações e agruras da vida de romancista, nos oferecendo casos (estes, garante, ...